Treinador revela que Jon Jones se lesionou antes de luta com Cormier no UFC 214

Jon Jones reconquistou o cinturão meio-pesado (93 kg) no UFC 214 – Diego Ribas

Em um dos combates mais aguardados pelos fãs de MMA no ano de 2017, Jon Jones provou ser um dos grandes nomes da história do esporte ao nocautear Daniel Cormier no terceiro round da luta que liderou o card do UFC 214, evento realizado no último dia 29 de julho na cidade de Anaheim, na Califórnia (EUA). E se a performance de alto nível apresentada por ‘Bones’ na ocasião já chamou a atenção, imagine após a revelação feita por John Winkeljohn, treinador do novo campeão meio-pesado (93 kg), que garantiu que seu pupilo subiu ao octógono lesionado. 

Em entrevista ao podcast ‘Submission Radio’, o líder da academia ‘JacksonWink MMA’ não apenas relatou os momentos de tensão vividos pelo lutador e por sua equipe, como também detalhou a semana que antecedeu o combate contra Cormier. De acordo com Winkeljohn, um problema médico chegou a manter Jon Jones impossibilitado de levantar o próprio braço às vésperas do duelo. No entanto, nem isso foi capaz de colocar em risco a presença de ‘Bones’ no card do evento. 

“Eu vou compartilhar isso com vocês. Algumas noites antes da luta, sim, ele não conseguia levantar o braço – se machucou enquanto treinava wrestling. Ele treinou pesado demais com o parceiro, talvez tenha sido a falta de aquecimento. Não tenho certeza, mas foi meio assustador. Foi uma daquelas situações em que, enquanto eu o aquecia, perguntei aos outros treinadores e eles concordaram que não devíamos mais treinar muito wrestling”, relembrou o treinador. 

“Não queríamos fazer com que ele se lesionasse mais, pois isso poderia afetar sua mentalidade. Queria manter isso [a contusão] de fora, de modo que, se ele sentisse a lesão novamente, a adrenalina assumiria o controle. Foi um pouco assustador e ninguém soube disso. Houve uma lesão nos bastidores”. 

Mesmo contundido, Bones conseguiu a façanha de ser o primeiro a nocautear Daniel Cormier durante toda sua carreira no MMA. E foi justamente essa apresentação recente, acrescida do fato do campeão ter ficado mais de um ano sem competir em virtude de sua suspensão por doping, que explica o fato de Jon Jones ser o melhor atleta do esporte na atualidade – ao menos sob o ponto de vista de Winkeljohn.  

“Jon é quem ele é, muito durão. Como eu disse, ninguém pode bater no Jon Jones, somente ele mesmo. Uma vez que ele decide que quer ganhar um combate, ganhará. Ele basicamente não disse nada além de que lutaria. Ele não falou nada sobre isso. É como se não importasse se fosse formigamento ou fraqueza, Jon não disse nada. Ele simplesmente foi e lutou. É por isso que Jon Jones é o campeão. Ele tem essa mentalidade”, finalizou o treinador.

A prática que envolve drásticos cortes de peso por parte dos atletas nos dias que antecedem os eventos de MMA ainda é uma constante no esporte, mas aos poucos alguns competidores dão amostras de que esse sacrifício nem sempre vale a pena, e Rafael 'Dos Anjos' é um exemplo claro disso. Afinal, após perder duas lutas seguidas entre os leves (70 kg), ele optou por subir de categoria e já figura entre os 10 melhores da divisão dos meio-médios (77 kg). Por isso, a Ag. Fight te mostra outros nove atletas que se deram bem após mudarem de ares - Florian Sadler
Charles 'Do Bronx' alternou vitórias e derrotas na divisão dos penas do UFC (66 kg) nos últimos anos. No entanto, após não bater o peso em seu antepenúltimo combate, o brasileiro foi intimado a subir de divisão. E ao contrário do que se poderia imaginar, a mudança foi um sucesso e ele finalizou Will Brooks, promessa que estreava no Ultimate, ainda no assalto inicial - Jéssica Portassio
Natural da categoria dos leves (70 kg), Alex 'Caubói' Oliveira até perdeu em sua estreia entre os meio-médios (77 kg), mas desde então acumula cinco lutas sem perder. E tal retrospecto faz com que o brasileiro ocupe a 14° posição do ranking da divisão - Marcel Alcântara
Donald Cerrone, também conhecido pelo apelido 'Cowboy', conseguiu manter bom nível de competitividade desde que subiu para os meio-médios (77 kg). Nem mesmo a derrota para o ex-campeão Robbie Lawler minimiza o seu sucesso, já que ele ainda ocupa a 6° colocação no ranking da categoria - Diego Ribas
Desde que subiu para a divisão dos galos (61 kg), Lineker se manteve em alto nível e chegou a alcançar a marca de quatro vitórias consecutivas. Por isso, ele é o atual 5° colocado do ranking da divisão - Diego Ribas
Campeão do TUF (reality show do UFC), John Dodson construiu seu nome na organização competindo entre os moscas (57 kg). No entanto, após perder duas vezes na disputa pelo cinturão, ele subiu para os galos (61 kg) e já acumula duas vitórias e apenas uma derrota - Divulgação UFC
Kelvin Gastelum era um dos atletas mais promissores da divisão dos meio-médios (77 kg), mas seus problemas com a balança o guiaram rumo à divisão dos médios (84 kg). E o resultado não poderia ter sido melhor: apenas uma derrota em seus últimos quatro combates - Tobias Bunnenberger
Oriundo da divisão dos pesados, Daniel Cormier se credenciou como um dos meio-pesados (93 kg) mais dominantes da história do UFC. Desde que desceu para a nova divisão, ele foi campeão, competiu oito vezes e perdeu apenas em duas oportunidades, ambas para Jon Jones - Diego Ribas
Sensação dos médios (84 kg) do UFC, Robert Whittaker é originário da categoria dos meio-médios (77 kg). No entanto, foi após subir de divisão que o atleta atingiu seu grande objetivo na organização: conquistar o título do Ultimate, ainda que este seja interino - Diego Ribas
Único campeão peso-mosca (57 kg) da história do UFC, Demetrious Johnson é o atual recordista de defesas de cinturão da companhia - ao lado de Anderson Silva. Exceção neste lista, é difícil associá-lo à categoria dos galos (61 kg), divisão em que começou sua trajetória no Ultimate e onde não foi campeão - Diego Ribas

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