Nova polêmica de Anderson Silva expõe queda de respaldo com o público

Anderson Silva vive a pior fase de sua carreira - Diego Ribas

Anderson Silva vive a pior fase de sua carreira – Diego Ribas

O roteiro é conhecido. Quando um atleta brasileiro ganha notoriedade em um esporte e sua fama começa a transbordar os limites da modalidade praticada, o número de “haters” que apontam defeitos em tudo o que ele faça cresce em ritmo similar. No entanto, ao menos em um primeiro momento, eles ficam abafados pelo sucesso e conquistas do esportista, em cenário que inverte rapidamente ao primeiro sinal de queda de rendimento.

Dito isso, não pude ignorar o drama criado nesta semana em torno de uma postagem de Anderson Silva, atleta que passa por uma fase para lá de conturbada na carreira, em uma de suas contas em redes sociais, a famosa terra de ninguém da internet. Na ocasião, o Spider publicou uma foto de duas pistolas que havia acabado de comprar. Pronto, foi o que bastou para que críticas enchessem os comentários da página ao ponto de incomodar o próprio ex-campeão, que fez outro post explicando o que o motivou a publicar tal imagem.

Sem entrar no mérito da relação do lutador com armas – filho de policial e fã de paintball e tiro esportivo -, ou da legalidade de comprar e portar armas para prática esporte (Anderson vive no estado americano da Califórnia, onde isso é completamente aceitável), o que chama atenção é que a falta de vitórias e o flagra no exame antidoping deixaram clara a queda de respaldo do lutador. Os haters sempre estiveram e sempre estarão lá, mas o fator visibilidade e apreço, que no auge da carreira do Aranha minimizaria qualquer fagulha desse tipo, já não se fazem mais presentes como antigamente.

Quando nocauteava todos os oponentes e bailava de guarda baixa, Anderson era um gênio. Quando foi nocauteado ao tentar distrair o rival, ele se transformou em um brincalhão arrogante que saiu da arena vaiado pelos próprios fãs brasileiros. A fratura na perna e os dois casos de flagra em exame antidoping na sequência parecem ter sido demais para que a popularidade do atleta que, embora ainda em alta quando comparada a outros praticantes de MMA, fica a milhas e milhas de um passado não tão distante.

Mas, se por um lado o roteiro, como disse no início, é conhecido e não inédito ao se tratar de um atleta brasileiro já em final de carreira, o mesmo deveria ser utilizado do outro lado. Afinal, aos 40 anos e dono de um dos currículos mais vitoriosos da historia do esporte, antever problemas faz, ou deveria fazer, parte de sua rotina. E tenho certeza de que as pessoas certas para este trabalho (o de “blindar sua imagem”) entrariam no inflado orçamento do Spider e que poderiam evitar postagens desnecessárias como esta ou até mesmo virar piada por dizer que caiu no doping por usar um estimulante sexual trazido da Tailândia por um amigo do qual ele parecia sequer lembrar do nome.

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