Dominick Cruz, o retorno! Talento de sobra e sorte de menos

Dominick Cruz deu show de técnica e movimentação em seu retorno ao MMA após 15 meses parado. E, diante do então campeão TJ Dillashaw, ele provou que o tempo afastado não foi capaz de frear sua técnica irreparável - Reprodução/ site UFC

Cruz deu show de técnica e movimentação em seu retorno ao MMA – Divulgação/ site UFC

Antes do UFC Boston, evento realizado no último sábado (17), apostei minhas fichas em uma vitória de TJ Dillashaw aqui neste blog alegando que, entre o certo e o duvidoso, o tempo que Dominick Cruz ficara afastado do octógono aliado ao ritmo de luta do campeão penderiam de forma decisiva. E não foi assim (ao menos durante os três primeiro rounds).

Bailando no octógono, o americano jogou longe a minha desconfiança sobre seu tempo de reação após 15 meses de estaleiro e, mancando nos últimos assalto após a blitz de chutes baixos recebidas, me devolveu outros questionamentos. Seria ele capaz de sacudir a poeira e voltar a engrenar sequência de combates e de camps na organização presidida por Dana White?

Nos últimos 50 meses, Cruz fez mais cirurgias do que lutas e desmarcou por três vezes seu retorno ao cage. Por isso, bastou o caminhar inseguro, posteriormente justificado por uma lesão (até então inédita em sua carreira) no pé, para que ele próprio se adiantasse em bradar na coletiva de imprensa que ele está bem. Ao menos no que diz respeito ao seu joelho esquerdo (último de seus grandes problemas).

Já o pé, motivo alegado para o andar lento e debilitado, saberemos apenas nos próximos dias quando as suspensões médicas forem emitidas mediante rígidas análises dos responsáveis pela Comissão Atlética que mediou o evento. Até lá, Dominick terá tempo para curtir o título e colocar todos os pormenores na balança.

Afinal, deixando tudo o que foi dito para a imprensa de lado, só ele poderá saber se lutar ainda o motiva o suficiente para se dedicar de corpo e alma. Com resiliência duvidosa, o que pode ser visto pelo excesso de lesões do peso-galo (61 kg), Cruz teria que colocar sua carcaça à disposição dos pesados treinos e das sessões de fisioterapia, encarar possíveis novos tempos de estaleiro e, obviamente, travar guerras psicológicas como fez com TJ.

E, a julgar pelo poder em que foi testado, tanto dentro e como fora do octógono, o americano teve no combate contra o rival a melhor experiência possível no último domingo. E o triunfo tirou um fardo dos ombros do lutador que, agora campeão de fato, tem tudo para seguir sua carreira. Mas registro que não ficaria surpreso se a calmaria e o salário menos exigente que seu cargo de comentarista na Fox Sports acelerasse sua aposentadoria.

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