Conor McGregor: A arte de apostar em grande risco

Conor McGregor provou todo seu potencial de atrair dinheiro para o UFC -Diego Ribas

Conor McGregor provou todo seu potencial de atrair dinheiro para o UFC -Diego Ribas

Arrogância, ironia, destempero e, claro, muita coragem. Esses são os principais ingredientes que um bom ‘trash talker’ precisa carregar para, como o nome em inglês sugere, falar bobagens a ponto de chamar a atenção do grande público para uma determinada modalidade esportiva. E, se 2014 foi o ano do surgimento deste fenômeno midiático irlandês e 2015 o de sua consagração, a temporada que se inicia pode ser a de definição de seu legado. Muito cedo para dizer isso? Sem dúvida, claro, mas o nome Conor McGregor merece mais do que nunca todos os olhares do MMA.

Sem medo de arriscar, o peso-pena (66 kg) se colocou à disposição para encarar todos os riscos que lhe aparecessem dentro e principalmente fora do octógono, e, no lugar certo e na hora exata, se fez valer mais do que deveria, ou poderia. Especulou como poucos, mas bancou todos os resultados, mesmo que sempre em uma espécie de all in – termo do poker que remete a uma aposta em que todas as fichas são colocadas em jogo. E com essa eloquência em mãos, Conor despertou interesse não apenas dos fãs deste esporte, mas também dos que mal entendem do esporte, o que lhe deu o controle de uma máquina de barganha nunca antes vista.

Com números de vendas de pay-per-view incríveis para a época atual (estou falando em dias que contam com Anderson Silva pego no doping, Jon Jones afastado do UFC, GSP aposentado e Brock Lesnar de volta à WWE), o irlandês é uma máquina de fazer dinheiro. Arrastando multidões de fãs para seus combates, garantindo exposição midiática com suas fanfarronices e se tornando o grande ícone do MMA na Europa (mercado que teima em abraçar de vez o esporte), Conor interessa e muita à Zuffa, empresa presidida por Dana White e que, indo direto ao ponto, é uma companhia privada. Ou seja, visa o lucro.

E com essas cartas na mesa, o campeão dos penas segue apostando alto, sempre em busca do pote maior. Nem que para isso o risco seja cada vez mais alto, como pôde ser visto em suas últimas apresentações. Tanto que os nocautes sobre Chad Mendes em julho e José Aldo em dezembro, que lhe garantiu os títulos interino e linear, colocaram o irlandês em uma posição difícil de se analisar. Enquanto se falava em uma revanche imediata contra o brasileiro, ex-dono do título, McGregor surpreendeu e se adiantou em pedir (ou garantir) pelo direito de fazer história.

“Vou ter dois cinturões, um em cada ombro. Quando eu subir e tomar o cinturão dos leves, ainda serei o campeão dos penas. Os cinturões ficarão ativos, porque eu sou ativo. Não vou abandonar nenhum deles”, bradou na última coletiva de imprensa que participou nos EUA, e a qual ele liderou sozinho, sem a ajuda ou presença de nenhum membro do staff do UFC. Pouca marra?

E, ao que tudo indica, o evento está disposto a lhe dar esta chance, que já foi negada a outros campeões. tudo em nome do apelo conquistado e inflacionado a toca de caixa. Caso o duelo contra o brasileiro Rafael dos Anjos se confirme para março, em duelo válido pelo título dos pesos-leves (70 kg), Conor terá rompido uma barreira significativa para o que ele chama de busca por seu legado. Mas, ao mesmo tempo, ele aumentará o sentimento de desconfiança e descontentamento por partes de lutadores que o enxergam com privilégios não merecidos na organização.

E como todo bom jogador de poker sabe, o risco tem que ser calculado e por vezes um passo menor tem que ser dado para que, mais adiante, um objetivo maior seja alcançado. Afinal, o lucro de todo all in vencido é o dobro do apostado. Mas em caso de perda, como o próprio nome sugere para o bem ou para o mal, tudo se vai.

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