Antônio ‘Pezão’ celebra retorno financeiro no MMA russo e projeta aposentadoria

Antônio ‘Pezão’ trocou o UFC por eventos russos, em 2016 – Felipe Castello Branco

Depois de encarar a pior fase da carreira e somar três derrotas seguidas por nocaute no UFC, Antônio ‘Pezão’ deixou a maior organização de MMA do mundo e se transferiu para eventos realizados na Rússia, país em que deve encerrar sua carreira nos próximos anos. E, apesar da sequência de resultados negativos que culminaram com sua demissão do Ultimate, o atleta intitula a mudança de ares como “a melhor coisa” que lhe aconteceu.

Embalado por vitórias em diversos eventos, o peso-pesado fez seu primeiro combate no Ultimate em 2012, evento em que colecionou apenas três vitórias em 11 atuações. Mas apesar do retrospecto negativo, o brasileiro nega que tenha sofrido com a pressão de atuar em uma grande organização de MMA. Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight, Pezão ressaltou todas as suas participações no UFC como main event, mas garantiu que financeiramente está melhor na Rússia.

“Para mim, foi uma felicidade enorme estar no UFC. O UFC é o maior evento do mundo. Nunca sofri pressão nenhuma, sempre lutei muito feliz, muito alegre e disposto. Agradeço a Deus por ter lutado lá. Fiz seis main events no UFC, sempre lutei muito feliz e sem pressão nenhuma. Hoje, a melhor coisa que aconteceu na minha vida foi ter migrado para a Rússia. Sou muito grato a tudo que aconteceu no UFC, todos os main events que eu fiz, o tratamento deles comigo, o respeito e o carinho. Mas em questão financeira na Rússia foi muito melhor, estou muito feliz. Tenho mais três lutas para fazer lá por contrato, então agora é recuperar [o lutador passou por uma cirurgia no joelho em novembro passado] e voltar 100%”, assegurou o atleta.

Aos 38 anos, Pezão prometeu que ainda não está preparado para pendurar as suas luvas. O brasileiro projetou que permanecerá ativo por, pelo menos, mais dois anos. Entretanto, o ex-UFC destacou que tem passado por uma fase ruim em sua carreira – são cinco derrotas consecutivas, sendo quatro por nocaute –, mas revelou que ainda encontra vontade para continuar com os seus treinamentos e combates.

“Infelizmente passei por uma fase, estou passando ainda, que envolve coisas pessoais e profissionais. Estou com 38 anos, amo o esporte, amo o que eu faço. Estou no esporte desde os cinco anos de idade, na arte marcial do karatê. Enquanto eu tiver disposição, saúde e vontade para treinar e lutar, eu vou lutar. Não sei, vou falar mais uns dois anos. Mas a gente faz uns planos e Deus faz outro. Posso querer dois anos e acabar antes, como pode ser depois. Não sei”, planejou o brasileiro.

“Estou com muita saúde e muita disposição, só recuperar o meu joelho e já querer lutar novamente. Estou com muita vontade, enquanto a gente ainda tem esse frio na barriga, já é um motivo para voltar a lutar. Pensei em lutar mais uns dois anos, profissionalmente. Depois disso, dar uma parada, descansar, aproveitar a família. Porque a nossa profissão é uma profissão que requer muito tempo, você tem que deixar a família de lado, se alimentar bem, dormir cedo. A minha primeira luta foi em 2004, na Paraíba. Tenho uma grande carreira, já enfrentei grandes atletas. Pretendo lutar mais dois anos”.

Profissional desde 2005, Pezão tem muitos altos e baixos em seu cartel. O atleta acumula 19 vitórias em sua carreira, das quais 14 foram por nocaute. Contudo, em outras 12 atuações, o brasileiro deixou o cage derrotado. O atleta saiu do Ultimate em setembro de 2016 depois de perder pela terceira vez consecutiva e estreou em eventos russos no mês de novembro do mesmo ano.

A carreira de um dos maiores lutadores de MMA brasileiro na história está chegando ao fim. No próximo domingo (14), ninguém menos que Vitor Belfort fará sua despedida do octógono diante de Uriah Hall. Ex-campeão do UFC, o 'Fenômeno' viveu de tudo nas artes marciais mistas durante os mais de 20 anos de dedicação ao esporte. Com isso em mente, venha com a Ag. Fight conferir os 15 momentos mais marcantes na vida do atleta - Florian Sädler
No dia 11 de outubro de 1996, Vitor Belfort estreou no MMA diante de Jon Hess em um duelo cercado de polêmica. Muito mais alto e pesado que o Fenômeno, o americano pedia por uma luta 'valendo tudo'. No fim, o brasileiro não deu nem chances para o adversário e venceu por nocaute em apenas 12 segundos de combate - Erik Engelhart
Menos de quatro meses após o duelo contra Jon Hess, Belfort fez sua estreia no Ultimate de forma memorável. Com apenas 19 anos de idade, o brasileiro venceu duas lutas na mesma noite conquistou o torneio de pesados do UFC 12 - Marcel Alcântara
Em outubro de 1997, oito meses após estrear no Ultimate, Belfort foi para o maior desafio da carreira e conheceu sua primeira derrota. No UFC 15, o brasileiro foi nocauteado por Randy Couture em duelo que colocaria o vencedor próximo do cinturão dos pesos-pesados - Diego Ribas
O primeiro evento do Ultimate realizado no Brasil contou com um duelo recheado de perspectiva entre Wanderlei Silva e Vitor Belfort. E atuação do Fenômeno superou todas as expectativas. Com uma saraivada de socos, o ex-campeão nocauteou o 'Cachorro Louco' com apenas 44 segundos de combate - Felipe Castello Branco
Pouco depois de sofrer a primeira derrota da carreira, Belfort se transferiu para o Pride e se renovou. Conhecido por sua explosão mas também pela falta de gás, o Fenômeno mudou o seu jogo, buscou usar mais o seu jiu-jitsu e chegou até a vencer uma luta por finalização - Erik Engelhart
Em 2002, Belfort participou do reality show Casa dos Artistas junto com a atual esposa, Joana Prado, e negociou a transmissão de sua luta com Chuck Liddell no SBT. Essa foi a primeira luta do UFC a passar na TV aberta do Brasil, em marco para a história do esporte - Reprodução/ Instagram
Um dos maiores traumas na história de Belfort aconteceu em janeiro de 2004. Priscila Belfort, irmã do atleta, foi sequestrada e o seu paradeiro é desconhecido até hoje, acontecimento que mudou os rumos da vida do atleta - Reprodução/Instagram
Mesmo envolto a esse turbilhão, Belfort não desperdiçou a chance de dar o troco em Randy Couture no melhor estilo. Com menos de um minuto de combate, o brasileiro venceu o americano por interrupção médica (o americano machucou o olho nos instantes iniciais) e conquistou o cinturão dos meio-pesados (93 kg) do UFC - Marcelo de Jesus
Depois de perder o cinturão logo em sua primeira defesa diante do mesmo Randy Couture, Belfort disputou mais um duelo contra Tito Ortiz antes de abandonar a companhia. Ao longo de quatro anos depois o Fenômeno se apresentou em outros eventos antes acertar seu retorno ao UFC - Florian Sadler
No dia 5 de fevereiro de 2011, o mundo parou para ver o duelo entre Anderson Silva e Vitor Belfort, valendo o cinturão peso-médio (84 kg) do UFC. E diante de um 'Spider' inspirado, o Fenônemo sofreu um dos nocautes mais impressionantes da carreira ao receber um chute frontal no queiro logo no primeiro round do combate. Essa disputa foi um divisor de águas na história do esporte no Brasil - Divulgação
O TUF Brasil 1 contou com a participação de Vitor Belfort e Wanderlei Silva como treinadores rivais. Os atletas se enfrentariam em uma revanche na final do reality show, mas uma lesão obrigou o Fenômeno a se retirar do combate. Mesmo assim, o programa, o primeiro deste formato no país, revelou alguns atletas que caíram no gosto da torcida - Divulgação
Belfort também teve sua carreira manchada por incidentes com testes antidoping. Quando ainda era atleta do extinto Pride, o brasileiro testou positivo para substância proibida após o duelo contra Dan Henderson. Contra Jon Jones, em 2012, o brasileiro a foi acusado pelo americano de usar esteroides após um exame acusar altos índices de testosterona no corpo do desafiante. Além disso, o Fenômeno era um dos lutadores que faziam uso TRT (reposição hormonal), método que hoje é proibido pela USADA - Reprodução
Os últimos anos da carreira de Belfort foram marcados por lutas no Brasil. Desde 2012, foram oito apresentações em casa, com cinco vitórias, duas derrotas e uma luta sem resultado. Essa nova fase em sua carreira marca a sua reaproximação com o público nacional, tornando um dos nomes do MMA com maior inserção entre os fãs - Inovafoto
Após a proibição do uso de TRT (reposição de testosterona), muitos sugeriram que o atleta não teria mais o mesmo rendimento que em outros tempos. De fato, o Fenômeno atravessou um período de três lutas sem vitórias e, aos 40 anos, não apresenta o mesmo vigor físico que o tornou famoso no esporte. Por isso o tema aposentadoria acompanha o veterano faz anos... - Florian Sadler
Aos 40 anos de idade, Belfort coleciona na carreira um cartel com 26 vitórias, 13 derrotas e uma luta sem resultado. O Fenômeno é o atleta com mais triunfos por nocaute na história do UFC com doze, um a mais do que Anderson Silva. Além disso, o Fenômeno pode se gabar de ter disputado o cinturão dos médios, ter sido campeão dos meio-pesados e ter vencido um torneio e uma superluta como peso-pesado - Reprodução/ Instagram

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